Frases Soltas: Documentário - Blackfish - Fúria Animal

13 de novembro de 2015

Documentário - Blackfish - Fúria Animal



Postado inicialmente no Distopia Blog

Além de ser um pretenso lugar de felicidade, onde você leva a sua família pra ter contato com a natureza marinha e com as temíveis orcas, o que você sabe sobre o parque Sea World que fica na Flórida? O que você sabe sobre Tilikum, a orca mais importante dos shows do Parque?

Será que os animais mantidos em cativeiro são bem tratados? Será que eles fazem os truques que são ensinados porque gostam do contato com os seres humanos como contam os treinadores? Será que as condições de trabalho dos treinadores são um sonho como a imagem que o marketing do parque costuma passar?

Assisti a esse filme no Netflix e posso dizer que fui surpreendida, infelizmente não de forma positiva. O desrespeito do parque em relação não só aos animais, mas também aos treinadores passa do limite. O mínimo que se pode fazer ao começar um parque como esse é dar aos animais condições de sobrevivência, semelhantes ao do seu habitat natural, o que, se formos levar ao pé da letra os depoimentos contidos no filme, não foi o caso.



O documentário é perturbador, assisti há algum tempo e as cenas ainda estão na minha cabeça. Ver os animais atacando os treinadores porque estavam estressados, sem comida, privados de espaço foi demais pra mim. Ver as mortes dos treinadores abafadas pelo parque, sendo culpados pelos ataques que sofreram, foi revoltante!

E quando os filhotes foram separados de suas mães e as pobrezinhas ficaram chorando e tremendo num canto da piscina? Sério, nem sei o quanto eu chorei pela dor desses animais e pela dor dos treinadores em tentar fazer a diferença em uma luta perdida.




Estou impressionada com o que eu assisti, até agora. Mortes poderiam ter sido evitadas de algumas atitudes simples tivessem sido tomadas. E o pior, a orca que tem mais ligações com as mortes e ataques, continua se apresentando e ainda é o reprodutor do local, ou seja, os genes de Tilikum, literalmente a orca assassina, viverão nas próximas gerações, e como foi dito no próprio documentário, é proibida a inseminação com sêmen de animal que tem histórico de agressividade com humanos.

Tilikum, apesar de estar envolvido em muitos assassinatos e agressões, foi o que mais sofreu no cativeiro, foi separado de sua família (capturado) na década de 80 por outra empresa e vendido para o Sea World, onde foi atacado constantemente pelas fêmeas por ser um estranho, ficou sem espaço para nadar devido ao seu tamanho, foi separado por diversas vezes dos outros animais pra não sofrer ataques, ficou isolado, sozinho e mal recompensado pelo seu bom trabalho.


Tilikum e Down, a treinadora assassinada por ele.

Qualquer pessoa adoeceria, se revoltaria e atacaria seu algoz. É o instinto de sobrevivência. No mundo selvagem isso é muito intenso. Quando será que os seres humanos vão se dar conta de que estamos vivendo num período bárbaro e vão dar valor e respeito à natureza?

O que me serve de consolo é a certeza de que ainda existem pessoas dispostas a denunciar e a se engajar em entidades que brigam pelos direitos dos animais, no caso do filme, foram os ex treinadores do Sea World que se propuseram a desmitificar a imagem de “paraíso das orcas” que o parque tinha quando contaram fatos e compartilharam imagens pessoais.

Claro que toda história tem dois lados, e o Sea World publicou em seu site a suposta verdade em relação ao filme. Se eu acho que houve exagero no documentário? Provavelmente sim, mas ainda sim, as imagens dos ataques são inegáveis.

Se ainda existe esperança no mundo eu não sei, mas torço de verdade que esse documentário tenha aberto os olhos de muita gente como abriu os meus.

Você pode acessar o site oficial do documentário clicando aqui e a resposta (defesa) do Sea World clicando aqui.




comentário(s) pelo facebook:

Um comentário:

  1. Parques, zoos e aquários são sempre locais de exploração animal, por mais que muitas vezes pareçam o contrário. Infelizmente a cultura de exploração animal é algo que está longe de acabar. Há muito tempo que não vou a nenhum destes lugares. Frequentar ou pagar ingresso a um local como este é financiar e dar carta branca para que estas instituições continuem existindo e lucrando em cima dos animais. Nenhum animal deve ser explorado desta forma e de nenhuma outra forma, mas o capital está sempre acima da ética e o lucro é o que importa. Os bastidores destas exposições quase nunca são expostos, mas sem dúvida, estes animais estariam muito mais felizes junto de seus próximos num habitat natural.

    ResponderExcluir