Frases Soltas: Resenha: O Código Élfico

5 de fevereiro de 2014

Resenha: O Código Élfico

CUIDADO SPOILERS!!!!!!!

Santo Ossário é uma típica cidadezinha do interior, onde todos se conhecem, todos sabem da vida de todo mundo e convivem bem entre si. Há alguns anos, um trágico massacre aconteceu nesta cidade, Salomão Manzini, um assassino em série, fundador de uma seita, sacrificou um ator famoso para uma Deusa Élfica, e causou um massacre sem procedentes, onde só escaparam com vida ele e sua filha Nicole, que tinha apenas cinco anos de idade na época do ocorrido.

Para fugir dos julgamentos, Nicole quando adulta decidiu partir de Santo Ossário e ganhar o mundo. Mas coisas estranhas aconteciam com ela, coisas que ela não sabia como explicar. Ela era abduzida várias vezes, e atraía as mais variadas lendas urbanas, até que um dia, tudo em sua vida deu errado, ela foi obrigada a voltar pra casa e enfrentar o seu terrível passado.

Durante sua vinda para a mansão Manzini em Santo Ossário, Nicole conheceu Félix, um mercenário ruivo que se prontificou a ajudá-la no que ela precisasse. Juntos eles descobriram que a casa de Nicole escondia muitos segredos relativos ao culto que Salomão instalou ali, coisas bizarras, como discos que continham mensagens quando tocados ao contrário, passagens secretas, coisas que comporiam uma grande teoria da conspiração.

Em outro lugar não muito longe dali, Emanuel Montague, aspirante ao cargo de Dragão da Deusa Élfica Titânia, A Rainha da Beleza, que antes fora ocupado por Salomão Manzini, aguardava ansiosamente a finalização da criação de Astarte, o príncipe élfico que foi criado em laboratório segundo instruções da Deusa.

Astarte serviria como elo entre a Terra e Arcádia, a terra dos elfos, e seria treinado para ser o campeão da Rainha quando os elfos invadissem a terra e dominassem os humanos.

Quando Astarte despertou e percebeu qual o propósito de sua criação, ele se rebelou e decidiu ir contra sua mãe, a Rainha, começando então uma luta por princípios digna de qualquer filme de ação, com muita morte, bombas e criaturas sobrenaturais.

O Código Élfico é um misto de ação e fantasia. A trama é bem original por tratar os elfos como vilões (não todos), ao invés de tratá-los como o clichê dos guerreiros bonzinhos sempre dispostos a ajudar a salvar o mundo. Achei interessante também a abordagem ao ocultismo cego e aos sacrifícios realizados em homenagem à Rainha da Beleza. O autor utilizou temas presentes na sociedade atual e os transformou em lendas urbanas, justificando e moldando a história aos propósitos maléficos dos elfos.

Apesar de achar o enredo bem original, a história foi muito cansativa e cheia de furos. Um exemplo disso foi a grande descrição das artes élficas e do treinamento élfico, a abordagem da filosofia foi interessante, mas muito extensa e maçante. Logo no prólogo, Nicole está nesta “dimensão paralela” sendo treinada por Astarte. Neste ponto da história, eles ainda não se conhecem, e no decorrer da trama, não fica claro se isso realmente aconteceu ou se ela está tendo um vislumbre do futuro, porque no capítulo 33, esse treinamento se repete, dessa vez com eles já se conhecendo e interagindo de forma a suprir os sentimentos existentes um pelo outro para que o treinamento seja priorizado.

Falando ainda desse treinamento, no prólogo, os soldados mortos vivos invadem esse universo paralelo, mas não há explicação de como eles conseguiram isso, uma vez que este universo era criado pela vontade de Astarte. Já no final do capítulo 33, onde o treinamento se repete, Nicole foi capturada e aparece no apartamento da família Strauss, noiva um deles, mas também não mostra como isso aconteceu, nem porque Astarte não conseguiu impedi-los, fiquei boiando nesse ponto. As mudanças no espaço-tempo foram difíceis de acompanhar, fiquei perdida em diversas partes da história. Esse não é um livro que você consegue parar de ler por alguns dias e quando retoma, sabe exatamente o que está acontecendo, pelo contrário, tive que voltar várias vezes na leitura pra me lembrar da trama no ponto eu estava.

Falando sobre Abel Montague: esse personagem me deixou curiosa a princípio. Fiquei grande parte da leitura imaginando o porquê dele usar uma roupa esfarrapada de elfo, e a explicação que foi dada foi bem vaga. Como um estranho dá a roupa pra ele e seu irmão Emanuel só não o mata porque acha que ele tem algum propósito pra Rainha? Bastava uma simples pergunta de Emanuel pra ele descobrir a verdade. To certo que, no final da história, Abel teve um destino heróico, mas essa explicação da roupa e do porque de Emanuel não tê-lo matado como fez com os seus pais, realmente não me convenceu.

Também fiquei me perguntando o que seria esse “algo” que disparava as flechas através dos elfos e que ajudou Santo Ossário a impor sua vontade e dobrar a vontade da Rainha. Seria Deus? O Diabo? Ou o próprio planeta tentando se salvar? E por que Nicole foi abduzida tantas vezes? Na sua última abdução, os “aliens” dizem que ela está pronta, mas pronta pra que?

O legal na história, é grande parte dos capítulos tem por título alguma referência a livros e filmes, como “Lá e de Volta outra vez”, uma clara referência ao Hobbit e “Admirável Mundo Novo”, o livro de Aldous Huxley. Também é utilizado como idioma o Quenya, inventado por Tolkien no Senhor dos Anéis. O livro é repleto de referências interessantes e no meio da leitura você se pega rindo por ter percebido as ligações. Isso foi muito legal.

A resenha foi enorme porque eu ainda não sei como me sinto sobre esse livro. Tive uma relação de amor e ódio com ele, e acho que se alguns trechos fossem cortados, em especial tantas descrições, a história seria mais cativante e envolvente. Mas não deixo de recomendá-lo, pois os autores nacionais tem me surpreendido de forma muito positiva, no caso do Caldela, sua criatividade é impressionante. Se esse livro for o princípio de uma saga ou uma trilogia seria ótimo, pois as pontas soltas se amarrariam e eu finalmente iria ter respostas pras minhas muitas perguntas.

Tem um bônus no site do autor de como ele criou o universo do livro, vale a pena uma espiada!






Resenha de Janeiro do Desafio Literário do Tigre. Pra saber mais sobre o Desafio, basta dar uma olhadinha neste post aqui ou acessar a página do DL no facebook.




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Um comentário:

  1. Primeira resenha que leio do livro e me deixou curiosa pela leitura.

    Bjs
    eternamente-princesa.blogspot.com.br

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