Frases Soltas: Resenha: Laranja Mecânica

11 de março de 2013

Resenha: Laranja Mecânica


“Então, o que é que vai ser, hein?”

Alex e seus druguies estão no auge de sua adolescência, e sua diversão, é sair pela noite abusando violentamente de idosos, mulheres e crianças. Eles chamam esta diversão subversiva de ultraviolência, e essas ações hediondas parecem ser a única coisa que os satisfaz.

Alex, encontra um prazer fora do normal espancando, estuprando e roubando, mas sua alma também tem descanso quando escuta música clássica. As experiências pessoais dele com a música de Beethoven e Mozart e se igualam às experiências de ultraviolência na rua, às vezes ele se utiliza da música para despertar suas emoções, seu desejo de machucar as pessoas, como numa cena em que ele está com duas “garotas” de no máximo 10 anos em seu quarto e abusa sexualmente delas ao som de Beethoven.

Tudo parecia normal na rotina de Alex até que um dia, ao invadir a casa de uma velha senhora, ele exagera no espancamento e acaba por matar a velhinha. Quando tentou fugir, foi traído por seus druguies, deixado à própria sorte, ferido e desnorteado.

Ele foi capturado e preso, mandado direto pro inferno, e a única oportunidade que ele enxergou para sair dali foi participar de um programa do governo, que visava “condicionar” as pessoas com o temperamento de Alex a serem boas e praticarem somente o bem.

Logo no começo do livro vemos cenas fortes de espancamento e estupro, tudo é muito intenso e perturbador, e o que ajuda o leitor a lidar com essas experiências é a gíria utilizada na escrita na história. A impressão que eu tive foi que, ao ler as descrições feitas pelo autor utilizando essas palavras desconhecidas, que substituíam as mais fortes da cena, tudo foi mais amenizado, compreender algumas coisas no contexto foi mais tranqüilizador do que ler tudo na íntegra, no bom e velho português.

O livro é chocante e intenso, não só pela violência física nas ações do personagem principal, nosso Humilde Narrador, mas também pela violência imposta ao seu ser, sua alma, que sentimos quebrar quando ela foi moldada pelo tal benéfico programa governo e ele deixou de ser quem ele era pra se transformar numa marionete.

Gostei muito da história e fiquei me perguntando o porquê de eu ter demorado tanto pra ler este livro, que se mantém tão atual em suas críticas mesmo tendo sido escrito há muitos anos atrás.

O começo pode ser um pouco cansativo, porque você tem que ficar olhando o glossário para saber o significado das gírias que foram usadas, mas depois que você começa a reconhecer as expressões, a leitura fica bem mais fácil, e você acaba incorporando mentalmente muitas delas no seu dia a dia até mesmo depois de ter terminado o livro.

Realmente uma história muito Horrorshow! Agora vou atrás do filme ;)




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