Frases Soltas: Resenha - A História de Edgar Sawtelle

1 de setembro de 2011

Resenha - A História de Edgar Sawtelle

Edgar é um menino mudo, que se expressa través de sinais. Ele tem como companheira a fiel cadela Almondine, que está sempre lá pra ele, cuidando e confortando.

Ele e Almondine são mais do que companheiros, são almas gêmeas. Ela sentiu a necessidade de ser a sua voz desde que ele era um bebê. Era ela quem avisava Trudy, a mãe de Edgar quando ele acordava e precisava de alguma coisa.
Ambos participam ativamente do treinamento dos Cachorros Sawtelle, que é o negócio da família. Edgar agora é responsável por uma cria, e Almondine é sua assistente.
Os pais de Edgar amam muito o filho. Eles tentaram por muito tempo ter um bebê, e depois de um triste aborto, veio Edgar, que mesmo com o seu problema de ausência de fala, se tornou a coisa mais preciosa pra eles naquela fazenda.
A vida é simples e boa, com muito trabalho, mas eles vão levando sua rotina de forma comum, sem excessos e sem muitos problemas que fogem do normal.
As coisas começam a mudar quando Claude, irmão de Gar, pai de Edgar, decide voltar pra casa. A princípio tudo corre normalmente, mas um tempo depois, as discussões entre Claude e Gar se intensificam, quase todos os dias tem alguma briga, e o clima silencioso e chato perdura pela casa, e cabe a Trudy fazer a intermediação entre os dois irmãos, deixando tudo mais tranqüilo.
Um dia, quando Edgar está cuidando de sua cria, ele vê o pai estendido no chão do celeiro. Ele tenta salvá-lo, mas como é mudo e não tem mais ninguém em casa, ele não consegue telefonar e pedir ajuda. Gar morre, e Edgar é cometido uma depressão profunda juntamente com sua mãe.
Quando Edgar encontra uma seringa suspeita no gramado próximo ao celeiro, ele começa a desconfiar de que seu pai na verdade fora assassinado, e essa desconfiança se concretiza quando ele vê o espírito de seu pai, que mostra a ele quem foi o seu possível assassino.
Edgar pensa numa maneira de provar pra sua mãe que seu tio assassinou seu pai, mas ainda não sabe como, e começa a nutrir um ódio inimaginável por Claude. Ele mantém as aparências por causa de sua mãe, que está se envolvendo com Claude, mesmo a contra gosto de Edgar.
O garoto descobre também que seu tio quer lidar com o Canil de uma forma que seu pai não aprovaria, com o apoio do veterinário da família. O menino se revolta, e leva sua mãe até o ponto onde viu o espírito de seu pai, na ânsia de que ela o visse também e percebesse que Claude é um usurpador.
Quando Edgar vê um vulto perto deles, acha que é Claude e parte pra cima dele com um forcado. Mas na verdade era o veterinário, e Edgar o mata por engano.
Assustada com o que aconteceu, Trudy manda Edgar se esconder, e avisa que quando fosse seguro, ela sinalizaria pra ele voltar. Edgar parte então para a floresta, com a roupa do corpo, sendo seguido por três filhotes da cria que cuidava, sem rumo, sem consolo e sem Almondine.
Ele decide não voltar mais praquele lugar de sofrimento, e fica vagando pela floresta, sem destino certo, treinando seus cachorros, passando fome, sede e frio, sempre com o pensamento em seu pai, em sua mãe e em Almondine.
Ele sofre na floresta, não só por ele, mas pelos cachorros, que também passam necessidade. Se sente como o Mogli, o menino lobo de sua história favorita, sem pai e nem mãe, sempre na companhia dos animais.
Pela necessidade de se alimentar e de alimentar os filhotes, Edgar passa a saquear as cabanas de pesca, onde algumas pessoas estão passando férias. Ele não rouba dinheiro, só comida e alguns utensílios de extrema necessidade para a sua sobrevivência.
Depois de um desses saques, quando Edgar continua a sua caminhada com os cachorros, um dos filhotes se machuca, e ele é obrigado a pedir a ajuda de quem ele saqueou. O nome do homem é Henry, e apesar de seu jeito reservado e comedido, ele acaba se afeiçoando ao menino e aos cachorros, conquistando a confiança de Edgar.
Com a ajuda de Henry, Edgar tem um mínimo de conforto por um tempo, e consegue cuidar dos filhotes com a dedicação que eles precisam. Quando ele decide voltar e enfrentar seu destino, dois filhotes acabam por ficar com Henry, e ele segue com a pequena Essay de volta para casa, afim de finalmente contar tudo para a sua mãe.
Quando Claude descobre que Edgar está tentando voltar, ele envenena o filho de veterinário, contando que Edgar assassinou o pai dele. Os dois então, planejam encontrar o garoto antes dele voltar para sua mãe, para que ele “responda” algumas perguntas.
Aí se segue uma confusão, Edgar é abordado dentro do celeiro pelo filho do veterinário, que usa éter para abater o garoto, ainda com a desculpa de saber o que aconteceu realmente com o seu pai, mas mesmo quase inconsciente, Edgar consegue derrubar cal virgem em cima dos dois, cegando seu agressor.
Os vapores do éter,em contato com a única lâmpada acessa, causam um incêndio e Trudy se desespera. Edgar se recupera e tenta salvar os arquivos do canil, mas Claude injeta no garoto, e acidentalmente em si próprio, o veneno com o qual ele matou Gar, e os dois ficam presos no celeiro. O filho do veterinário que também conseguiu sair do celeiro ás cegas, sem entender o que estava acontecendo pois não conseguia enxergar nada, acaba se agarrando a Trudy e a prendendo, impossibilitando ela de salvar seu filho.
O livro acaba com Trudy desesperada, olhando o incêndio no celeiro.
O que dizer de um livro como esse? Estou realmente sem saber como começar a dar a minha opinião, mas, vamos tentar...
Comprei esse livro numa promoção da Saraiva do Shopping Metrô Tatuapé e paguei R$ 14,90, mas o real motivo de eu ter comprado não foi o preço, mas sim foi porque ele é um Best Seller (sim, eu gosto de Best Sellers), e por causa da orelha escrita pelo Stephen King.
Acompanhei Edgar na jornada sofrida dele, sem poder falar, sem rumo, passando fome e frio na floresta, tendo por companhia só os pequenos cãezinhos. Sofrendo com a preocupação de alimentá-los, de mantê-los aquecidos, e sofrendo mais ainda com a impossibilidade de provar que seu pai tinha sido assassinado pelo tio.
Claude era um psicopata, frio, manipulador e sem sentimentos. Mesmo no final do livro, não consegui entender qual era o objetivo dele em assassinar o próprio irmão e em querer se livrar do sobrinho. Ficou claro numa das conversas que ele teve com o filho do veterinário, que ele também queria se livrar do canil. Fiquei pensando, será que a próxima da lista de eliminações seria Trudy?
O livro em si, tem os acontecimentos narrados de forma sutil, mas precisa. O ritmo é meio lento, mas sempre tem uma revelação ou uma surpresa em cada capítulo, e isso faz com que fiquemos ansiosos esperando pelo que vai acontecer.
Gostei muito da narrativa, mas achei que o autor pecou um pouco em descrever tão exaustivamente o treinamento os cachorros, e as cartas que foram escritas para o avó de Edgar por um criador de cães renomado.
E sim, fiquei “P” da vida com o final, acho que depois de tanto sofrimento, esse menino merecia treinar seus cãezinhos, viver em paz com a sua mãe e por que não realizar o sonho de ter o Canil Sawtelle como referência em criação e treinamento de cachorros. Sim, sou adepta a finais felizes, ainda mais quando se trata de histórias com crianças.
Mas infelizmente esse é só o meu final utópico, por que a moral deste livro cabe bem naquele ditado clichê "Quanto mais conheço os homens, mais eu gosto do meu cachorro". 
É um livro forte, e feito para chorar, então preparem os lencinhos!



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