Frases Soltas: Resenha - A Garota dos Pés de Vidro

29 de agosto de 2011

Resenha - A Garota dos Pés de Vidro

Este livro tem uma história diferente do que vemos habitualmente em literatura fantástica.

Ao invés de nos contar algo sobre vampiros, lobisomens, anjos ou demônios, Ali Shaw nos conta a história de Ida e uma doença rara, que aos poucos vai transformando seu corpo em vidro.
Ela vai para um arquipélago chamado Saint Hauda’s Land em busca de uma cura. Um homem que ela havia encontrado há algum tempo atrás por um mero acaso do destino, tinha comentado com ela algo sobre o assunto, achando que ela não acreditaria ou o acharia louco, mas quando começou a acontecer com ela, essa insanidade se tornou uma realidade macabra, e ela parte em sua jornada pra encontrar esse homem desconhecido, o único que tem alguma pista sobre o que está acontecendo com ela.
Durante sua busca, ela conhece Midas Crook, um rapaz problemático, que carrega grande angústia em relação ao seu falecido pai, e que tem sérios problemas de relacionamento. Eles se apaixonam, mas demoram a estabelecer confiança suficiente um no outro para se envolverem num relacionamento de verdade, em parte pelo receio de Ida sobre como a sua doença influenciaria os dois, mas principalmente pelo receio de Midas em demonstrar seus sentimentos, exatamente como seu falecido pai costumava agir.
Enquanto isso, a doença de Ida se acelera, e o que antes tinha atingido só os seus pés, começa a subir pela sua panturrilha e coxas, diminuindo seu tempo e suas esperanças de recuperação.
Esse livro foi meio angustiante pra mim. A parte em que ela percebe que está acontecendo alguma coisa estranha e cutuca seu dedo do pé tentando tirar o que tem por baixo da pele, achando que é apenas um caco de vidro me incomodou pra caramba, to com a cena na cabeça até agora.
Essa é uma daquelas histórias em que você tem que aceitar tudo o que acontece sem questionar, sem tentar ficar achando explicações pra tudo ou fica maluco. Não é revelada a origem da doença, e infelizmente a cura não é encontrada pra ela. Mas outras pessoas na história também estavam doente, não fisicamente como Ida, mas com sérios problemas internos que ela diretamente ou indiretamente ajudou a resolver.
Uma dessas pessoas foi Midas, que depois de aceitar seu amor por Ida e dividir com ela a sua angústia e a sua luta contra a sua doença, reviu seus conceitos e a imagem que tinha de seus pais e de si mesmo e decidiu para de se sentir uma vítima da vida e começar a fazer diferença em seu próprio destino.
O livro todo é uma tortura, com Ida se arrastando de muletas pela cidade, sofrendo com a dor e com a angústia de não poder controlar o que está acontecendo com ela. A sua despedida de Midas então foi muito triste, chorei lendo essa parte dentro do ônibus (com todo mundo me olhando rs), e me senti como Midas, incapaz de salvar aquela que mais amava, a única pessoa que fez diferença em sua vida.
Se pararmos pra pensar, não é isso que acontece com todos nós? Às vezes, quando ficamos presos em sentimentos conflitantes sobre os quais não temos controle nenhum, sem rumo, sem saber o que fazer ou como agir, só nos resta aceitar o que está acontecendo conosco e conviver com isso dando o melhor de nós mesmos.
No decorrer da história nos é revelado que o pai de Midas e uma garotinha chamada Saffron tiveram também essa doença. Ambos se suicidaram quando descobriram que não haveria uma cura. Além desse fato, outros elementos fantásticos foram inseridos na história, também sem qualquer explicação de sua origem. Pequenos touros com asas de borboletas e um animal que transforma tudo que olha em branco puro. Não sabemos nada a respeito deles e sinceramente, achei que eles não têm significância nenhuma na história. Não causaram nada nem ajudaram em nada, só desviaram algumas vezes o foco do que estava acontecendo com Ida.
Não vou dar cinco estrelinhas porque muitas coisas ficaram em aberto, porém, a história triste de Ida me cativou e prendeu. Me envolvi com ela e participei de suas angústias quanto ao incontrolável, assistindo a tudo sem poder fazer nada. De alguma forma esse livro mexeu comigo, talvez pela história de superação de Midas ou pelo amor que Ida tinha pela vida, não sei ao certo, mas mexeu, e por isso vou dar quatro estrelinhas pela história inusitada e pela capa maravilhosamente caprichada!



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Um comentário:

  1. Oi flor,
    Já ouvi falar desse livro mas infelizmente pelo tipo dele acho que não e uma historia que vai me agradar muito neste momento minha vida anda tao tumultuada e corrida que quando sento para ler preciso de algo leve e divertido para esquecer do mundo mas o livro parece ser interessante...
    Bjks
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa

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