Frases Soltas: As Crônicas de Artur - Volume I - O Rei do Inverno

9 de junho de 2011

As Crônicas de Artur - Volume I - O Rei do Inverno

Esta nova versão da história do Rei Artur nos é contada pelo ponto de vista de Derfel, um monge muito idoso que vive num mosteiro no Reino de Powys e que foi guerreiro e grande amigo de Artur e de seus cavaleiros.
A pedido da Rainha Igraine, que é apaixnada pelas lendas, Derfel vai narrando “escondido” a história deste cavaleiro que na verdade não foi um rei, mas sim um grande protetor do reino.
Para que o Bispo Sansun não descubra que a história está sendo documentada pela Rainha, Derfel narra em sua língua natal, o saxão, com a desculpa de que está traduzindo os evangelhos cristãos para essa língua.
Artur, que era filho bastardo do Rei, era o líder dos exércitos de Dumnonia e recebe como missão, proteger Mordred, seu sobrinho e herdeiro do reino, até que este tenha idade para governar.
Mordred nasceu em meio a uma guerra religiosa, onde pagãos e cristãos lutavam entre si para decidir qual seria a religião dominante no reino. Contrariando o fato da mãe da criança ser cristã, o parto foi feito por Morgana, sacerdotisa de Merlin e o fato da criança nascer com um pé deformado, um defeito de nascença, não foi vista como um bom presságio pelos pagãos.
Uther, o Rei que estava no poder morre, e Mordred apesar da sua pouca idade é nomeado Rei da Dumnonia. Uma vez que Mordred é só um bebê, os outros reinados tentam se aproveitar da pouca idade do garoto para tomar o seu trono. Isso desencadeia uma série de batalhas muito bem descritas por Cornwell pela dominação do reino da Dumnonia.
A história se passa na Idade Média e nos conta a lenda de Artur de uma forma totalmente diferente da qual estamos acostumados. Não é um conto de fadas, mas sim uma reconstrução das lendas baseadas em fatos históricos. Conseguimos sentir durante a narração de Derfel o quanto de pesquisa histórica deve ter sido necessária a Cornwell para que esse livro se tornasse o mais realista possível.
O fato de vermos o personagem Artur pelos olhos de outra pessoa foi um dos pontos que me cativou na narrativa. Derfel é só um garoto quando o encontra pela primeira vez. Um garoto que foi adotado por Merlin quando sua mãe morreu durante a invasão de sua cidade natal por Saxões. Mas que no decorrer da história se torna um dos guerreiros de Artur, e me arrisco a dizer que foi o mais fiel a ele, tornando-se assim seu grande amigo.
Não leia esse livro esperando ver lindas donzelas boazinhas e cavaleiros disputando seu amor. Esta obra de Cornwell é muito realista quanto a isso, o que vemos aqui é uma Idade média cheia de crimes, saques e estupros. Vemos a realidade de uma guerra em uma época em que mulheres, crianças e idosos não passavam de peso morto.
Cada batalha é nos é descrita em detalhes, às vezes a leitura toma um ritmo tão frenético que você se sente ali, empunhando também uma espada, lutando pelo reino junto com os outros cavaleiros.

Um dos melhores livros que já li com certeza. Não é à toa que Bernard Cornwell é considerado mestre no gênero Romances Históricos.
Ansiosa pela continuação da historia em “O Inimigo de Deus”.


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